Alternative Investments Insights

Novembro de 2017

Quinta feira, 11/23/2017

O período foi caracterizado por forte desempenho no setor de fundo hedge. Estamos especialmente satisfeitos em ver nossa alocação de tendência longa em ações se beneficiar da retomada em ações, enquanto estratégias dedicadas também extraíram alfas.

Quinta feira 23/11/2017 - 09:00
Cedric Vuignier Alternative Investments Expert
José Sanchez Product Specialist
  • O desempenho dos fundos hedge até o momento, em 2017, tem sido positivo
  • Macro: retornos mistos, volatilidade comprimida e preferência por sistemática macro
  • Ações: bom desempenho, menor correlação de ação, aumento na dispersão e retornos esperados
  • Event Driven: desempenho estável e oportunidades interessantes na atividade corporativa
  • Valor relativo: retornos discretos, mas perspectiva positiva
  • Nossas ferramentas de gestão de risco quantitativo, uma vantagem competitiva
Perspectivas de estratégias
Perspectivas de estratégias

A SITUAÇÃO ATÉ AGORA

O período foi caracterizado por forte desempenho no setor de fundo hedge. Estamos especialmente satisfeitos em ver nossa alocação de tendência longa em ações se beneficiar da retomada em ações, enquanto estratégias dedicadas também extraíram alfas. O foco dos investidores estava mais voltado aos fundamentos, tais como ganhos, em vez de ambiente macroeconômico. É uma mudança favorável na dinâmica em comparação aos anos anteriores, com os mercados oscilando em termos de risco devido às intervenções ou discussões dos bancos centrais.

Até agora em 2017, estamos observando redução da correlação intra-ações e crescimento na dispersão, ambas criando uma profusão de oportunidades adicionais. A redução do balanço do Fed, a política apertada e a redução do BCE se aproximando devem continuar a melhorar o cenário.

Estamos trabalhando para desenvolver nossa alocação estratégica de fundo hedge, com foco especialmente em novas tecnologias, a saber, aprendizagem por máquina quantitativa e mais amplamente em todas as metodologias sistemáticas, nos afastando da análise clássica de preços e dados dos fundamentos. A tecnologia ainda é incipiente, mas consideramos que pode se desenvolver rapidamente.

Ao fim deste documento, falaremos da nossa convicção em nossa gestão de risco de carteira e da necessidade de um sistema sólido de análise quantitativa.

MACRO

A tendência de queda persiste para gestores macro discricionários desenvolvendo seus negócios após as eleições nos EUA. Da mesma forma, o período foi relativamente tranquilo, com exceção de junho, quando alguns gestores tiveram desempenho superior devido à exposição ao câmbio enquanto outros tiveram desempenho inferior no rastro da liquidação de ações de fim do mês. Os gestores querem acreditar na probabilidade de reformas fiscais nos EUA, contudo, estamos observando uma crescente falta de convicção. O posicionamento é peculiar entre gestores com investimentos na zona do euro em longo prazo e S&P500 tático em curto prazo.

Ao contrário dos gestores discricionários, modelos sistemáticos finalmente tiveram bons resultados na extração de alfa, especialmente em agosto com tendências sustentáveis em metais e obrigações. Em julho, algumas tendências de médio prazo emergiram permitindo que alguns gestores obtivessem ganhos, enquanto a liquidação de obrigações de junho, combinada com uma reversão no complexo de commodities, foi desfavorável. Durante o período da análise, não há mudanças significativas na alocação com a maior parte do risco implementada em ações, renda fixa e commodities para aqueles que ainda toleram a falta de constância e as reversões claras.

Nossa perspectiva

Mesmo se o conjunto de oportunidades for relativamente favorável com uma crescente menor correlação entre ativos e maior divergência nas políticas monetárias, a volatilidade comprimida continua sendo um obstáculo à utilização de risco. Em relação aos modelos sistemáticos, continuamos preocupados com as reversões de tendência e reiteramos nossa tendência em direção à sistemática macro

A política fiscal também está afrouxando
A política fiscal também está afrouxando
Fonte
FMI, previsões da Morgan Stanley Research Dados em: outubro de 2017

EQUITY HEDGE

Os gestores de equity hedge alcançaram números positivos à medida que os mercados continuaram a subir ao longo do período, apesar do déficit decorrente das perdas registradas de curto prazo. Nos EUA, os ganhos do mercado de ações foram liderados pelas ações de crescimento de grande capitalização, conhecidas como FAANG*. Isso foi muito rentável para gestores com exposição à tecnologia, mas prejudicial a gestores com tendência de valor. A retomada no crescimento das ações pode ser atribuída à reversão do "Trump Trade", devido ao adiamento da reforma fiscal e do atraso nas reformas de saúde. Os negociantes foram apanhados em uma roleta: de ações de finanças para ações de tecnologia. Além disso, fluxos significativos em investimentos passivos com crescimento mais intenso foram incluídos na roleta. Em outros aspectos, gestores europeus demonstraram bons resultados no espaço de média capitalização, contudo, gestores de grande capitalização não tiraram proveito da melhoria no macroambiente na Europa. Gestores asiáticos obtiveram ganhos importantes, com consumo discricionário e tecnologia estimulando o desempenho, enquanto a economia chinesa continuou a surpreender pela tendência de alta, afastando quaisquer temores decorrentes do crescente risco político.

* FAANG: Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Alphabet’s Google

Nossa perspectiva

Continuamos confiando nas estratégias de equity hedge. Nossa perspectiva continua positiva, enquanto esperamos que ventos positivos para a estratégia se materializem no ambiente macro e também nos mercados. As correlações de ações caíram significativamente neste ano, e com as crescentes taxas surgindo no horizonte, esperamos que a dispersão também aumente.

Correlação intra-ações de 126 dias: S&P 500
Correlação intra-ações de 126 dias: S&P 500
Fonte
Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados em: outubro de 2017

EVENT DRIVEN

A segunda parte do ano ofereceu uma conjuntura relativamente simples e benigna para fundos hedge na estratégia Event Driven, e a dispersão de retorno nos fundos sofreu uma queda durante o período. Todos os índices Event Driven, exceto um, tiveram retornos positivos. Ações de situações especiais lideraram, seguidas por arbitragem de fusão e então oportunidades de crédito, o que é típico em um risco no cenário. Os ganhos estiveram fortes nos EUA, liderados pelas grandes empresas de tecnologia. A atividade de evento corporativo esteve estável, e a confiança no CEO estava menos intensa do que no começo deste ano. A implementação das reformas fiscais nos EUA continua sendo um assunto controverso, que pode continuar a forçar o mercado. O risco populista na Europa caiu, pois o candidato centrista pró-europeu venceu a eleição presidencial francesa. Ainda assim, diversos gestores europeus mencionam o potencial de crescimento em volumes europeus de arbitragem de fusão, o que foi observado no começo deste ano.

Nossa perspectiva

A perspectiva continua promissora. Os analistas estão divididos na implementação da reforma fiscal nos EUA. É difícil saber se os preços dos títulos refletem uma postura cautelosa ou otimista neste aspecto. Neste estágio, antecipamos que a atividade corporativa continua a oferecer oportunidades interessantes para a parte final do ano.

Desempenho HFRI Event Driven estabilizado no 2º semestre de 2017
Desempenho HFRI Event Driven estabilizado no 2º semestre de 2017
Fonte
Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados em: outubro de 2017

Valor Relativo

Os retornos foram de certo modo discretos durante o período, mesmo que, no geral, tenham sido positivos no espectro de crédito (isto é, EUA e Europa), com as menores tranches tendo desempenho superior. Alguns gestores registraram perdas em títulos de energia, uma vez que ações ordinárias e alguns títulos pós-reorganização foram mais difíceis de negociar. Mais uma vez, o maior catalisador foi o petróleo bruto, com a retomada em julho apertando ainda mais os spreads, mesmo que uma série de eventos tenha agido como obstáculos (como a instabilidade venezuelana, o lançamento de míssil da Coreia do Norte), testando o sentimento do mercado.

Não houve mudanças específicas dignas de menção em relação a gestores de arbitragem de renda fixa que continuam a capitalizar em obrigações alemãs, com apostas marginais em spreads de swap e curvas de rendimento. Durante o período da análise, a volatilidade se manteve firme em baixas históricas com o prêmio de volatilidade se comportando de modo desfavorável para árbitros de prêmio de volatilidade, com os mercados de ações atingindo novos recordes de alta. Para aqueles com inclinação a negócios de renda variável e renda fixa em títulos soberanos, eles continuaram a obter desempenho. Mesmo decepcionados com desempenho dos nossos gestores de hedge de delta direcional, somos cautelosos uma vez que o cenário poderia ter sido ainda pior.

Nossa perspectiva

Alinhada com a ainda crescente dispersão em alto rendimento, destacamos nossa preferência para alocação de arbitragem de capital, especialmente no G-3, pois a retomada de crédito corporativo em mercados emergentes se estendeu pelos últimos três anos. Nossa perspectiva continua a ser positiva e alinhada com o que os gestores dedicados mencionaram em comunicados anteriores.

Alavancagem de alto rendimento: Divergência EUA versus Europa
Alavancagem de alto rendimento: Divergência EUA versus Europa
Fonte
Morgan Stanley Research, Bloomberg Finance LP, Citigroup Index LLC, Thomson Financial, dados da empresa Dados em: outubro de 2017

Nossas convicções

A gestão de risco se tornou uma parte inevitável do processo de construção de carteira no ambiente pós-crise financeira, exigindo que os gestores de ativo reinventem suas abordagens, para terem uma compreensão profunda das métricas de risco da carteira e dos seus componentes subjacentes.

Acreditamos que nossa estrutura proprietária de gestão de risco, desenvolvida internamente, nos dá uma matriz ampla das métricas quantitativas mais relevantes e necessárias para avaliar e antecipar o comportamento das nossas carteiras. Os modelos foram testados em condições reais de mercado e, como consequência, melhorados ao longo dos anos.

O conjunto de ferramentas de gestão de risco que utilizamos engloba métricas quantitativas avançadas, tais como testes de estresse, evolução da diversificação da carteira e análises multivariadas, nos permitindo identificar os fatores mais robustos de risco e retorno, além de potencialmente descobrir curvas ocultas em nossas carteiras. Assim que sinalizadas, essas tendências podem ser mitigadas pelo reequilíbrio adequado da carteira.

Acreditamos que um controle firme e estrito da exposição das nossas carteiras pode ajudar a limitar as perdas em cenários de mercado desfavoráveis. Uma vantagem importante é a capacidade de fazer backtest de uma variedade de perfis de risco. Desse modo, quando uma nova posição é incluída, sabemos como afetará a carteira como um todo desde o primeiro dia.

A este respeito, acreditamos que temos uma vantagem competitiva em relação aos nossos rivais na gestão de carteira de fundos hedge.

Testes de estresse
Testes de estresse
Fonte
SYZ Asset Management Dados em: outubro de 2017